Terapia genética reduz colesterol pela metade em teste inicial

Richard Riviere
22 de novembro de 2025
Seta apontando para baixo.
terapia genética reduz colesterol pela metade

Terapia genética experimental reduz colesterol e triglicerídeos em até 50% após dose única, mas especialistas alertam para dúvidas sobre segurança a longo prazo.

Novo estudo apresentado na American Heart Association indica que uma única infusão de uma terapia genética experimental pode diminuir pela metade os níveis de colesterol LDL e triglicerídeos, mas especialistas ainda questionam a segurança a longo prazo.

A pesquisa, divulgada durante o encontro anual da AHA em Nova Orleans, avaliou uma abordagem de edição genética aplicada diretamente ao fígado. 

Assim, o tratamento pretende desativar um gene que eleva os níveis de gorduras no sangue. Ou seja, ele oferece um potencial de controle duradouro para pessoas com colesterol muito alto.

Como o estudo foi conduzido?

O ensaio clínico de Fase 1 envolveu 15 participantes da Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, todos com níveis de LDL e triglicerídeos persistentemente elevados, apesar de tratamentos convencionais. 

Desse modo, os pesquisadores administraram a terapia, chamada CTX310, em dose única, por meio de uma infusão que durou até quatro horas e meia.

Antes da intervenção, os voluntários apresentavam LDL mediano de 155 mg/dL e triglicerídeos médios de 192 mg/dL. 

Após o tratamento, especialmente entre os que receberam doses mais altas, observou-se redução de aproximadamente 50% tanto no colesterol LDL quanto nos triglicerídeos dentro de dois meses.

Porém, alguns efeitos adversos foram relatados, como náusea e dores nas costas durante a infusão. Um participante apresentou aumento temporário de enzimas hepáticas, que depois voltaram ao normal. 

Além disso, um óbito ocorreu meses após o estudo, mas os pesquisadores afirmam que não teve relação com a terapia.

O que dizem os especialistas?

Cardiologistas apontam que o estudo prova a viabilidade da edição genética para controlar o colesterol, mas reforçam que ainda é cedo para considerar o método seguro. 

A técnica utiliza o CRISPR, ferramenta capaz de alterar partes específicas do DNA e provocar mudanças permanentes nas células.

Nesse sentido, o alvo da terapia é o gene ANGPTL3, responsável por produzir uma proteína que impede o fígado de eliminar gorduras da corrente sanguínea. 

Pessoas que nascem com versões menos ativas desse gene naturalmente têm níveis bem mais baixos de LDL e triglicerídeos, e o tratamento busca reproduzir esse efeito.

Apesar do potencial, especialistas alertam que é preciso avaliar com cuidado o impacto de uma alteração genética definitiva.

Embora medicamentos como estatinas sejam eficazes e seguros, muitos pacientes abandonam o uso por efeitos colaterais, e isso pode abrir espaço para novas alternativas terapêuticas.

Limitações e próximos passos

Os autores destacam que ainda é necessário acompanhar os participantes por mais tempo e ampliar o número de voluntários para confirmar a segurança da terapia. Ensaios maiores já estão sendo planejados, incluindo novas fases do estudo em diferentes países.

Mesmo exigindo cautela, o trabalho representa um avanço importante na busca por tratamentos mais duradouros para doenças cardiovasculares.

Saiba mais em: NBC News

Richard Riviere

Especialista em Saúde Digital, CEO e Co-Fundador da Versatilis System, o sistema de gestão DEFINITIVO das clínicas do Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fácil, prático, versátil

A gestão da sua clínica não precisa ser complicada

Simplifique todos os processos com a solução mais moderna e eficiente do mercado.

WhatsApp