Caso inédito nos EUA confirma a primeira morte por alergia rara transmitida por carrapato. Entenda como a síndrome alfa-gal surge, seus sintomas e os alertas de especialistas.
Um relatório científico recente acendeu um alerta sobre a chamada síndrome alfa-gal, uma alergia à carne vermelha desencadeada após a picada de carrapatos.
O caso envolveu um homem de 47 anos, de Nova Jersey, que apresentou uma reação grave horas após comer carne durante um acampamento em família.
Ele parecia recuperado no dia seguinte, mas semanas depois sofreu uma anafilaxia fatal após consumir um hambúrguer.
Exames realizados após a morte mostraram que o paciente havia desenvolvido sensibilidade extrema ao açúcar alfa-gal, presente em mamíferos como boi, porco e cordeiro.
Nesse sentido, é possível introduzir essa substância no organismo quando um carrapato, especialmente o Amblyomma americanum, conhecido como lone star, injeta o composto diretamente na corrente sanguínea durante a picada.
Como ocorre a síndrome alfa-gal?
O alfa-gal é um tipo de carboidrato presente nas células de muitos mamíferos, mas ausente no corpo humano. Desse modo, quando nosso sistema imunológico identifica essa molécula como invasora, pode produzir anticorpos específicos.
Com o organismo sensibilizado, o consumo posterior de carne vermelha ou derivados, como leite e queijo, pode desencadear reações alérgicas tardias. Essas alergias vão desde desconfortos digestivos até anafilaxia.
Os sintomas mais comuns incluem urticária, dor abdominal, náuseas, diarreia, congestão nasal, dor de cabeça e inchaço de lábios, língua ou pálpebras.
Porém, como essas manifestações aparecem entre 3 e 5 horas após a refeição, muitos pacientes não associam o quadro imediatamente ao alimento ingerido.
O que os pesquisadores observaram?
A equipe responsável pelo caso identificou níveis extremamente altos de triptase no sangue do paciente, um marcador típico de reações anafiláticas graves. Esses valores se aproximaram dos mais elevados já relatados em mortes relacionadas a alergias.
O homem e sua esposa acreditavam que as lesões na pele eram de ácaros conhecidos como “chiggers”. Mas especialistas explicam que muitos desses casos, principalmente no leste dos EUA, são picadas de formas juvenis do próprio carrapato lone star.
Outro ponto de atenção é a expansão geográfica da espécie.
Pesquisadores apontam que o crescimento da população de cervos, principal hospedeiro do carrapato, combinado ao avanço das mudanças climáticas, tem favorecido a presença desse vetor em regiões onde historicamente não era encontrado.
Qual é o alerta para a população?
Especialistas recomendam atenção a dores abdominais intensas horas após o consumo de carne bovina, suína ou ovina. Picadas de carrapatos que permanecem coçando por vários dias também merecem investigação médica.
Apesar disso, muitos pacientes com quadros leves conseguem controlar os sintomas apenas ajustando a alimentação.
Saiba mais em: Science Alert.





